Brasil pode ter nova geração de celulares 5G mais acessíveis em 2026

O cenário dos smartphones no Brasil deve passar por uma mudança significativa no próximo ano. A expectativa é que uma nova leva de aparelhos com conexão 5G chegue ao mercado com preços mais baixos, tornando a tecnologia de última geração acessível para um público mais amplo. Esse movimento pode marcar o início da popularização definitiva da rede mais rápida no país.
A projeção vem de Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, que observa uma tendência clara: as vendas de celulares 4G, que hoje dominam a categoria de entrada, já estão em declínio. Para 2026, essa queda deve se intensificar, impulsionada justamente pela redução nos custos de produção dos dispositivos 5G.
O resultado prático para o consumidor pode ser a oferta de modelos com a tecnologia por valores abaixo de R$ 1.000, um patamar que até pouco tempo atrás era território exclusivo dos aparelhos 4G.
O preço do 5G já está caindo nas lojas
Essa transição de preços não é apenas uma previsão para o futuro; já está em andamento. Um exemplo é o Galaxy A06 5G da Samsung. Lançado em abril por R$ 1.099, hoje o modelo pode ser encontrado por cerca de R$ 750 em diversas plataformas de varejo. Outros modelos, como o Galaxy A16 5G, já são vendidos regularmente na faixa dos R$ 700.
Essa rápida desvalorização de lançamentos recentes é um sinal concreto de que a tecnologia está se tornando mais barata de se implementar.
A estratégia das fabricantes é clara: oferecer o 5G como um diferencial padrão mesmo nos segmentos intermediário e de entrada, acelerando a migração dos consumidores e esvaziando gradualmente o mercado 4G.
O caminho para celulares mais baratos e os desafios globais
Apesar do otimismo, existe um obstáculo global que pode influenciar o ritmo e o custo final dessa popularização: a crise no mercado de memórias. A explosão da inteligência artificial criou uma demanda sem precedentes por um tipo específico de memória de alta performance (HBM), usada em data centers para treinar modelos de IA.

Grandes fabricantes de chips, como Samsung e TSMC, estão priorizando a produção dessas memórias mais lucrativas. Essa mudança de foco reduz a capacidade disponível para produzir as memórias convencionais (RAM e armazenamento) usadas em smartphones, o que pressiona os preços desses componentes para cima.
Para contornar esse desafio e manter os celulares acessíveis, as empresas de tecnologia estão adotando estratégias criativas. A Qualcomm, por exemplo, está trabalhando para diversificar seus fornecedores e otimizar o uso de diferentes gerações de memória.
A ideia é combinar componentes um pouco mais antigos, como memórias LPDDR4, com os mais novos, equilibrando desempenho e custo final sem comprometer a experiência básica do 5G para o usuário.
O que esperar para o consumidor brasileiro
A combinação dessas forças – a intenção da indústria em popularizar o 5G e os esforços para mitigar a alta no custo das memórias – aponta para um cenário promissor. A previsão é que, em 2026, a diferença de preço entre um celular 4G e um modelo 5G equivalente seja mínima, ou praticamente inexistente.
Isso significa que o consumidor, na hora de trocar de aparelho, naturalmente optará pelo modelo com a tecnologia mais moderna, dado que o custo será semelhante. O 4G não vai desaparecer de imediato, especialmente em aparelhos de custo ultrabaixo, mas deixará de ser o padrão dominante no mercado de entrada.
Para o usuário final, a conclusão é positiva. A próxima troca de Smartphone tem grandes chances de ser por um modelo 5G, sem que isso represente um gasto significativamente maior. A democratização da rede mais rápida está próxima, prometendo levar maior velocidade de conexão, menor latência e uma experiência móvel mais fluida para um número cada vez maior de brasileiros.

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