Starlink se destaca no crescimento da banda larga em outubro

O mercado brasileiro de banda larga segue em movimento constante, e os dados preliminares de outubro, compilados pela Anatel, mostram quem está ganhando força na disputa pela conexão dos lares e negócios do país. Enquanto o mercado total apresentou uma leve contração no período, algumas operadoras registraram um crescimento robusto, sinalizando uma aceleração na captação de novos clientes.
O mês foi marcado por um bom desempenho da Vivo, que liderou as adições líquidas, e por um crescimento expressivo da Starlink, que consolida sua presença como uma opção viável fora dos grandes centros. A Claro também manteve sua trajetória de expansão, reforçando a tendência de que as grandes operadoras, junto com a inovação trazida pelo satélite, continuam a ditar o ritmo do setor.
Liderança e aceleração: Vivo e Claro ampliam bases
A Vivo se destacou como a operadora que mais adicionou novos assinantes em outubro, com um incremento de 65 mil acessos à sua base de banda larga fixa. Esse número representa uma pequena aceleração em relação ao mês anterior, quando a adição foi de 61 mil clientes. Com isso, a empresa atingiu a marca de 7,93 milhões de assinantes, fortalecendo sua posição no pódio do setor.
Logo atrás, a Claro também mostrou músculo. A operadora, que já possui a maior base individual do país, adicionou 39 mil novos clientes em outubro, um resultado superior aos 31 mil do mês de setembro. Esse crescimento levou sua base total para 10,54 milhões de acessos, mantendo sua liderança absoluta em números totais.
Esse movimento contínuo de ambas as teles tradicionais indica uma aposta forte na expansão da fibra óptica e na retenção de clientes em um mercado cada vez mais competitivo.
A surpresa consistente: Starlink dispara no ranking de novas adições
O grande destaque que continua a chamar a atenção é o desempenho da Starlink. A operação de internet via satélite da SpaceX não só mantém seu crescimento como agora compete de frente com as gigantes nacionais em termos de novas contratações. Em outubro, a empresa adicionou impressionantes 50 mil novos assinantes, ficando atrás apenas da Vivo neste indicador.
Esse salto elevou sua base oficial perante a Anatel para 493 mil acessos. É importante notar, porém, que a própria empresa já informou atender mais de 600 mil clientes além desse número reportado, uma discrepância comum devido à dinâmica de relatórios do serviço.
Esse crescimento explosivo evidencia que a Starlink está preenchendo uma lacuna real: a demanda por internet de qualidade em milhares de localidades onde a infraestrutura terrestre tradicional ainda não chegou ou é deficiente. Ela deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar um concorrente sério em regiões específicas.
O cenário geral do mercado e os ajustes de base
O panorama total do mercado, no entanto, apresentou uma retração. Em outubro, o número preliminar de assinantes de banda larga fixa no Brasil foi de 53,1 milhões, uma queda de 2,3% em relação ao dado revisado de setembro (54,34 milhões).
É crucial entender que esses números iniciais são voláteis, pois muitos provedores menores atrasam o envio de suas informações. O próprio dado de setembro, por exemplo, foi revisado para cima em cerca de 630 mil acessos posteriormente.
Um fator que influencia significativamente essa conta é a transição da antiga carteira da Oi. A operação de fibra óptica, agora sob a marca Nio (da V.tal), ainda aparece nos registros da Anatel sob o nome Oi. Essa base, de pouco mais de 3,7 milhões de clientes de fibra, apresentou uma redução de 72 mil acessos em outubro, parte de um processo natural de realinhamento pós-venda e migração.
Movimentação entre os provedores regionais
No segmento dos provedores regionais e independentes, o movimento foi misto. A Brisanet e a Desktop, ambas já com mais de um milhão de clientes, tiveram desempenho positivo, cada uma adicionando cerca de 7 mil novos assinantes. A Brisanet se mantém na liderança entre as PPPs, com 1,54 milhão de acessos.
A TIM, embora com uma operação de banda larga fixa menor que a de suas concorrentes diretas, segue crescendo de forma orgânica, com 8,4 mil novas adições em outubro, chegando a 837,9 mil clientes. Outras como Algar (+8 mil) e Unifique (+4 mil) também expandiram suas bases de forma sólida.
Por outro lado, algumas operadoras passam por ajustes. A Giga+ (Alloha Fibra) registrou uma redução de 18 mil clientes, em um movimento que a própria empresa classifica como uma "limpeza de base". A Vero também teve um saldo negativo de 5 mil acessos.
Dados de outubro
Os números de outubro reforçam algumas tendências claras para 2025. A disputa pela qualidade e cobertura segue acirrada, com Vivo e Claro investindo pesado para conquistar e reter clientes. Paralelamente, a Starlink está criando um novo mercado, provando que há uma demanda massiva e disposta a pagar por conectividade em áreas desassistidas, o que deve pressionar as operadoras tradicionais a acelerarem seus planos de expansão para o interior.
Para o consumidor, esse dinamismo é benéfico. Significa mais opções, seja pela chegada da fibra óptica de um grande provedor ou de um operador regional, seja pela possibilidade real de ter internet de alta velocidade via satélite onde antes só havia conexão discada ou 4G limitado. O mercado brasileiro de banda larga, longe de estar saturado, está se reinventando e expandindo suas fronteiras.

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